22 fevereiro 2007

Lambança

No post sobre o carnaval, levianamente sugeri que o dinheiro que irriga os festejos de Momo no Rio de Janeiro viria da contravenção. Bom, nem fui tão leviano assim. A Zelite, que é assinante da Folha de São Paulo, pode conferir hoje uma entrevista com a antropóloga Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, autora de "Carnaval Carioca: dos Bastidores ao Desfile". Sintomático do contéudo é o título da entrevista: Dinheiro das Escolas é obscuro.
Perguntada sobre qual seria o significado da transferência para os contraventores, por parte do poder público, da organização do Carnaval, a antropóloga de nome quatrocentão lasca: "É um dos grandes pontos de tensão. Obviamente, o papel deles [bicheiros] na organização do desfile foi modernizador. Mas é paradoxal, porque é uma modernização associada a códigos não-modernos, como patronagem, clientelismo e falta de clareza dos mecanismos de circulação monetária. Até nos patrocínios de empresas os valores não são claros, não se sabe quem exatamente recebe, como o dinheiro entra na escola. Esse dinheiro é obscuro. Não digo que a finalidade dele seja ilegal, mas é obscura a circulação dele."
Então, ficamos assim. Sendo o financiamento da maior festa carioca (ou do País, diria um Policarpo Quaresma) feito com dinheiro sujo, não dá para reclamar quando arrastam crianças pela rua.

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